Cantinho da redação – Do jardim de infância à sociedade

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O sol atinge a minha janela no fim da tarde. Mais um dia se vai, mais uma história para contar, mais um segredo para revelar. Ainda me chamam de louca toda vez que saio descalça pela rua a procura de um pedaço de chão para pisar.

Ainda me tratam feito criança toda vez que conto meus problemas. Não me deixam desejar, querer, crescer. Ainda me querem no jardim de infância, onde as professoras ensinavam a pintar em círculos perfeitos e ditavam que a cor do sol é o amarelo e das nuvens o azul (eu nunca vi nuvem azul, nunquinha!).

Deixaram-me aprisionada no jardim de infância por mais de 25 anos, mas chegou a hora de passar para o próximo nível. Por que tenho que agir dessa forma, quando desejaria estar do outro lado da cidade dentro de um lago bem gelado? De boiar sem preocupações, de esquecer o mundo e só concentrar-me em mim?

Ainda ouço o som do sino no recreio, quando todos saíam em filas perfeitas e eram obrigados a cantar músicas que nem sabiam o significado. Ainda lembro-me das lições do B-A Ba, do C-A Ca… Ainda me recordo dos longos anos sentada atrás de mesas desconfortáveis, decorando coisas que não mudavam nada em minha vida. E me lembro de que sempre desejei ser a melhor, para provar aos outros que merecia uma chance. O que eu nunca entendi é que o tempo todo eu fiz as coisas pensando nos outros e demorei demais para entender que a primeira pessoa que devo fazer feliz sou eu mesma.

Por longos anos busquei a felicidade em algo que acreditava ainda vir. Enquanto isso, fechei-me para o mundo. Segui exatamente as regras que foram impostas , assim como no maternal, e incomodei-me muito com quem as descumpria. Achava aquilo uma falta de respeito, uma falta de caráter. E quando tive que descumprir também… meu Deus… que suplício! Eu não era capaz de aceitar que aquela pessoa, sempre tão correta, tão boa, tão admirável, tão elogiada, agora fazia exatamente o oposto do que pregou a vida toda.

Se errei? Errei muito e ainda erro, acho que sou levada pelos sentimentos. Ouço o tempo todo que devemos ter a cabeça fria, ser racional, mas como? Meu coração é maior que minha cabeça. Meus desejos, meus sonhos, minhas loucuras são tão complexos que até mesmo eu me perco.

Às vezes penso que fui enviada ao planeta errado, que na hora da distribuição dos habitantes de cada planeta passei despercebida pela equipe de seleção e fui enviada por engano a terra. Mas já que estou aqui, deve haver um motivo, não é? Então sigo nessa busca. Quem sou? Onde estou? Qual a minha missão?

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